Domingo, 29 de Outubro de 2006

" MEDO DO MEDO"

SINDROMA DE PÂNICO
 “A Síndrome do Pânico tornou-se conhecida por seus vários sintomas: palpitações, tonturas, dificuldades para respirar, dores no peito, sensação de formigueiro ou fraqueza nas mãos, e quase, invariavelmente, um medo secundário de morrer, perder o controle ou ficar louco. Geralmente esses sintomas não estão restritos a uma situação específica, o que os torna portanto imprevisíveis. Esta doença, de fundo emocional, traz em sua base um medo intenso, desmedido e incontrolável que vai tomando proporções assustadoras.
Quando se sofre de Pânico, cada crise aumenta a ansiedade e o medo da próxima, tornando a doença um ciclo. Como resultado a pessoa passa a evitar tudo o que possa aproximá-la da situação que lhe causa temor de forma cada vez mais ampla e genérica a ponto de qualquer estímulo poder tornar-se uma ameaça.
O ser humano percebe, sente e compreende o mundo e os estímulos que recebe de forma muito particular, em diferente intensidade, variando de acordo com as características físicas e emocionais de cada um. Durante toda a história da humanidade o medo esteve presente, protegendo, quando aprendemos a traduzi-lo em cautela e sensatez e fazendo sofrer ao nos tornar escravos de nossas ilusões e de nossa impotência, limitando-nos e roubando nossa espontaneidade e nossa criatividade. Muitas vezes esse medo é nutrido por um entendimento equivocado sobre os valores pessoais, fruto, entre outras coisas, da falta de conhecimento de nossas potencialidades, preconceitos e baixa auto-estima. Desde nossa infância precisamos aprender a enfrentar nossos medos para termos a possibilidade de viver feliz e em paz.
O medo patológico é um sentimento que se fortalece no desconhecimento, é o resultado da falta de fé em si e no mundo. A fé não é algo que possamos treinar, a fé implica entrega, não de forma ingénua pois transformar-se-ia em alienação, mas de forma consciente e íntegra, multiplicando-se em disponibilidade para perceber-se como um ser ao mesmo tempo insignificante e genuinamente especial, singular entre todas as criaturas. Ter fé implica saber exactamente quem é, com seus próprios limites e contradições. Em nossa mente a fé nasce do espaço intermediário entre a fantasia e a realidade. É vital para o desenvolvimento humano e sua transcendência, pois implica a noção de si e do outro, em respeito, dignidade, generosidade, amor, enfim, implica a noção do todo, fornecendo-nos parâmetros existenciais.
O amor que recebemos de nossos pais, parentes e amigos ou mesmo das pessoas com quem nos relacionamos durante nossa vida, alimenta as reservas de esperança e fé que possuímos. Quando o ser humano não recebe amor, respeito, compaixão, solidariedade ele torna-se amargo, violento, rude, incrédulo no outro e consequentemente, em si mesmo.
A pessoa que sofre de crises de pânico não é necessariamente a que não recebeu amor, mas é aquela que não tem certeza do amor que recebeu ou não o tem interiorizado, tornando-se uma pessoa insegura e frágil emocionalmente, sentindo-se “pobre” em recursos internos para sua auto-proteção. Volta-se mais para as possibilidades de morte do que para as da vida. Não se trata de uma escolha, a ansiedade e o desespero invadem sua vida, cegando-a.
Essa Síndrome tornou-se a carcereira do homem moderno por gradativamente retirar seu direito à liberdade de se relacionar seja com as pessoas, seja com a vida. Como todas as dificuldades ou qualquer tipo de doença, quanto mais rapidamente se inicia um tratamento melhores são os prognósticos. Segundo as pesquisas mais recentes da OMS, os tratamentos indicados como tendo os melhores resultados, são os que associam a medicação à psicoterapia.
Aprender a pedir ajuda é um acto de coragem e de fé, independente de qual seja o tipo de dificuldade. Algumas pessoas desacreditam que possam ser ajudadas, tomando uma atitude de suposta auto-suficiência, evitando dividir suas dores e angústias, o que muitas vezes provoca um agravamento dos sintomas, tornando os tratamentos mais sofridos e doloridos.
Acreditar em si e respeitar-se alimenta e fortalece nossa auto-estima; negar nossas dificuldades ou tentar escondê-las apenas nos enfraquece. Entender que existem dificuldades e limites é ao mesmo tempo, desmistificá-los e aceitar a nossa condição humana, num processo dinâmico de desenvolvimento e amadurecimento. “
( retirado do site Psicosite)
( ataques de pânico existem, e a doença do pânico é uma realidade. Ignorá-la ou menosprezá-la é um erro que pode custar caro, não só para quem sofre desta  doença como para aqueles que convivem com esses doentes "escondidos",  como ouso chamar.Sofrer do sindrome de pânico não é ser cobarde, ou medricas. É ser  apanhado, um dia, por algo desconhecido que o persegue para toda a vida. O remédio é aprender a viver com esse medo de ter medo, é difícil, mas não impossivel, basta ter a coragem de dizer  o que se está sentindo e pedir ajuda.)A GRANNY
a granny hoje sente-se: sem medo de ter medo
música: " Feitiço" - André Sardet
publicado por GRANNY Ditte às 02:47
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9 comentários:
De gegecas a 1 de Novembro de 2006 às 23:47
Concordo que o pânico é uma doença, aliás, concordo com quase tudo o que escreveste. Apenas discordo de uma coisa, nem sempre os ataques de pânico se devem à falta de amor, ou pouco amor recebido na infância e fico zangada por ser sempre esse um dos motivos invocados.
Tenho 3 filhas e uma deles teve uma depressão gravíssima e um dos sinais que teve foi ataques de pânico, e não se deveu a falta de amor. Não foi tratada cá em Portugal, o que um psiquiatra de cá fez foi droga-la, medicou-lhe " apenas " 14 comprimidos por dia.
Foi tratada na Alemanha e uma das coisas que o médico que a tratou nos disse foi que a situação dela poderia ter sido bem pior se não tivesse o suporte familiar que tinha e o amor de toda a família.
Por isso, por favor, não generalizem as coisas. Há muitas causas que provocam os ataques de pânico, não culpem sempre os pais, na maioria dos casos eles são também vítimas de uma doença que não afecta apenas o doente, mas afecta todo o nucleo famíliar.
De Ditte a 2 de Novembro de 2006 às 05:21
QIERIDA AMIGA
Se leres bem o artigo, que não é da minha autoria,verás que se diz que o "pânico patológico" se deve, na maior parte das vezes, à não interiorização do amor que recebemos, à insegurança. Francamente a minha opinião, depois de 24 anos a sofrer desta doença, ou distúrbio, chamem-lhe o que quiserem, é que não há razões, mas causas para o seu aparecimento. Prometo escrever um artigo da minha utoria sobre o assunto.
Este apenas serviu para alertar sobre esta realidade, que durante anos foi desconhecida de todos , inclusivé da comunidade médica. O amor e a compreensão cruciais para o seu tratamento, embora já se saiba que não se morre disso, mas com isso.
Enquanto preparo o meu artigo sobre o tema, aconselho-te a ler o site PSICOSITE.
É mais um tema polémico que deixo à reflexão e debate de todos.
Obrigado pela tua contribuição que foi valiosa.
Felicidades e um beijo da
Granny
De gegecas a 2 de Novembro de 2006 às 18:06
Não vejas nas minhas palavras um ataque, não é essa a minha intenção. Infelizmente assisti a muitos ataques de pânico e assisti tb , para além de o sentir na pele . à reacção que a maioria das pessoas têem qd veem uma pessoa com um ataque de pânico. E , sentindo que tu o sabes, não é nada agradável. Apenas as desculp pela ignorância e sabes uma coisa, tb as invejo por isso, pq preferia mil vezes ser uma leiga no assunto. Mas nem sempre as coisas são como desejamos, não é?
Acerca do artigo que falas, li tudo o que me veio parar ás mãos e , olha nem sei se aprendi se desaprendi. Uma coisa eu tenho a certeza, nimguém escolhe as doenças, e o importante é A PRÓPRIA PESSOA querer ser tratada e procurar ajuda mas de um profissional, porque não basta amor para tratar, é preciso saber faze-lo.
um beijo amiga.
De Ditte a 3 de Novembro de 2006 às 02:38
Querida amiga
De modo algum me senti atacada pelas tuas palavras, bem pelo contrário, senti que estava a falar com alguém que entendia este "pânico", que tantos ignoram ou desconhecem.
De certo que o amor não chega para curar ou atenuar esta doença, é preciso ajuda especializada e o medicamento adequado. Depois é viver, talvez com certas restrições, com algum desconforto, mas sempre com a noção de que o medo não nos há-de vencer.E se vivermos com amor a nossa volta tudo se torna mais fácil.
Contar-te o que já passei seria uma longa história, mas estou aqui, e viva, gozando o que a vida me tem proporcionado de melhor e lutando, sem medos, contra o que me surge de pior.
Como te disse vou escrever um artigo mais pessoal sobre este tema.
A tua contribuição é valiosa e fez-me bem saber que há pessoas como tu.
Que tenhas toda a felicidade que desejas e
um bj da
Granny
De gegecas a 3 de Novembro de 2006 às 22:02
Aguardo o artigo, pq essa e outras doenças do foro psiquiatrico não se curam, apenas as pessoas aprendem a lidar com elas e tb apredem a controlar-se, qd têem a sorte de ser ajudadas por um bom profissional que as ensinam. E o mais importante para mim, eu que digo que não tive nem tenho tempo para depressões, é que todos estamos sujeitos a ter ataques de oânico e depressões. Não há nem super homens nem super mulheres e ninguém consegue por mais insensivel que seja fugir a tudo que nos magoa. A vida é assim mesmo , coisas boas, muitos boas, e coisas más, por vezes más demais.
Beijo
De Ditte a 4 de Novembro de 2006 às 22:02
O prometido é devido, e o artigo há-de sair. Pretendo que seja o menos pessoal possivel, mas tal como tu o tempo não me dá tempo.
Bejs da
Granny
De Aida a 8 de Fevereiro de 2007 às 16:37
Boa tarde

Encontrei o que procurava......... alguém com um problema igual ao meu.
É mesmo um caso sério, já tenho esta "coisa" desde os 26 anos, tenho neste momento 46, e uma larga experiência nesta doença. Neste momento não tenho tempo para me alargar na conversa, mas voltarei........, e estou na espectativa do vosso artigo.
um beijo
Aida
De Ditte a 8 de Fevereiro de 2007 às 19:54
Ainda bem que tomou atenção artigo e, como depreendo, é mais um membro do que chamo "doentes escondidos". Acredite que voltarei ao assunto e aqui estou solidária consigo na luta e no sofrimento , mas também na coragem .
Obrigado pela sua participação e volte breve, será um prazer trocarmos experiencias e ideias.
Desde já receba um beijo solidário e amigo da
Granny
De Ditte a 8 de Fevereiro de 2007 às 19:54
Ainda bem que tomou atenção artigo e, como depreendo, é mais um membro do que chamo "doentes escondidos". Acredite que voltarei ao assunto e aqui estou solidária consigo na luta e no sofrimento , mas também na coragem .
Obrigado pela sua participação e volte breve, será um prazer trocarmos experiencias e ideias.
Desde já receba um beijo solidário e amigo da
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